A UMEI veio atender ao anseio da população por educação infantil pública em horário integral

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 mayrcexCriada pela Lei 8679/2003, dentro do Programa Primeira Escola, a Unidade Municipal de Educação Infantil veio atender a um anseio da população de Belo Horizonte, que até então não contava com escola infantil pública em horário integral. Orgulho da capital mineira, que hoje se destaca como referência na Educação Infantil, a UMEI teve todo o seu projeto pensado na lógica da criança.  

Em entrevista concedida ao site Comunidade BH em Movimento, a Gerente da Coordenação de Educação Infantil da Secretaria Municipal de Educação, Mayrce Terezinha da Silva Freitas, fala sobre a importância da educação infantil no processo de aprendizado da criança e sobre o nascimento da  UMEI. De acordo com reportagem publicada em 2003, na parte noticiosa do Diário Oficial do Município, a meta do programa então denominado Primeira Escola era 

construir 160 UMEIs para atender todas as crianças carentes de Belo Horizonte. É importante observar que as UMEIS construídas no ano seguinte foram escolhidas pela população no Orçamento Participativo.

 

Qual a importância da educação infantil para crianças de zero a cinco anos de idade?

Mayrce Freitas – A educação infantil tem uma importância fundamental no desenvolvimento da criança. Já está comprovada pela medicina e a neurociência vem apontando que quanto mais cedo as crianças são estimuladas, quanto mais cedo elas tiverem este processo de formação integral, mais elas vão se desenvolver e as consequências deste desenvolvimento serão para a vida toda. É uma mala de conhecimento, de desenvolvimento, de capacidades e habilidades que ela está carregando e que vai ser instrumento para a conquista de aprendizado pelo resto da vida.

 

Como surgiu o projeto da construção de UMEI – Unidade Municipal de Educação Infantil – em Belo Horizonte?

Mayrce Freitas – A UMEI veio atender ao anseio da população belo-horizontina de ter um atendimento público, em horário integral, para criança de zero até três de idade. Até o ano de 2004, quando foram inauguradas as primeiras UMEIs, nós não tínhamos nenhum atendimento público para esta faixa etária. A importância desse projeto e o motivo pelo qual ele é referência no Brasil, é porque pela primeira vez arquitetos, engenheiros, pedagogos se reuniram para pensar um padrão de instituição que tivesse a lógica da criança. Então toda a organização física dos espaços, a construção, as cores, tudo foi pensado na lógica das crianças. Mas tão logo as primeiras obras foram entregues e as crianças foram ocupando os espaços, nós percebemos que os adultos pensantes tinham equivocado em algumas partes do projeto e ele vem sendo revisto. A cada nova construção de UMEI o projeto é reelaborado.

 

Quanto à questão pedagógica. O que diferencia a UMEI de uma creche conveniada?

Mayrce Freitas – Na legislação (Lei de Diretrizes e Bases da Educação), creche é todo atendimento de zero a três anos e pré-escola, todo atendimento de quatro até seis anos. Em Belo Horizonte, culturalmente, creche é a instituição que atende crianças de zero até seis anos em horário integral. Então, nós temos hoje 195 creches conveniadas com a Prefeitura de Belo Horizonte e 54 UMEIs. Na questão do projeto pedagógico, da alimentação, do fornecimento de kits escolares, de kits pedagógicos, do acompanhamento pedagógico, não há diferenciação. A diferenciação existe no modelo de construção, porque as UMEIs tiverem esta preocupação no projeto estrutural. Neste sentido, todo projeto para atendimento da educação infantil em Belo Horizonte tanto para a UMEI e quanto para a creche que é conveniada, pretende ser o mesmo.

 

Quanto à qualificação dos profissionais?

Mayrce Freitas – Todos são professores, habilitados, tanto nas creches conveniadas, como nas UMEIs e nas escolas municipais de educação infantil, que já existiam treze, e também nas escolas de ensino fundamental com turma de educação infantil. Todos tem que ter autorização de funcionamento, profissional habilitado, a documentação exigida pelo Conselho Municipal de Educação. Então, do ponto de vista organizacional, de tratamento às crianças, de um projeto pedagógico, não há diferença.

 

O fato das UMEIs serem unidades municipais públicas, com servidores concursados e que têm avaliação permanente diferencia na qualidade?

Mayrce Freitas – Com certeza isso aí é um diferencial, porque a gente tem uma grande rotatividade de profissionais na rede conveniada; uma jornada de trabalho maior – a do educador infantil da rede municipal é de 4h30min/dia e na rede conveniada, são 8 horas/dia e a proporção do número de profissionais/turma também é maior. Na rede municipal, há três educadores infantis para cada duas turmas, o que garante que ele tenha um tempo de planejamento, de registro, o que muitas vezes o profissional da rede conveniada não tem, por motivos financeiros das creches, que sobrevivem no limite dos seus orçamentos. Isso também é um diferencial que a nossa rede tem. É importante salientar que esta diferença não traz prejuízo para a formação da criança, impacta mais como prejuízo para a professora que tem uma carga grande de trabalho, sem o tempo de fazer o seu planejamento.

 

Na prática, como os professores avaliam o aprendizado das crianças que tiveram acesso à educação infantil em relação àquelas que não tiveram?

Mayrce Freitas – Na verdade, o que a gente fala é o seguinte: se a educação infantil fizer bem feito o seu papel, a criança vai ter um resultado surpreendente, pois o que se busca é desenvolvê-la de forma integral. A gente espera que a criança chegue com a linguagem oral mais desenvolvida; que ela já tenha gosto pela leitura; que saiba, por exemplo, as questões do letramento, para que ela vai utilizar a leitura e a escrita na vida. Tem criança que sai lendo da educação infantil, que não é o nosso objetivo primeiro, mas como a gente trabalha a linguagem escrita de uma forma sistemática, algumas crianças saem lendo, outras saem  com noções relativas ao letramento, que são imprescindíveis para a construção do conhecimento atrelado à mecânica da leitura e da escrita. Eles saem também com as relações interpessoais mais bem desenvolvidas, mais bem organizadas, regras de condutas e convivência, utilização de uma folha, que direção que é a escrita. Aqui no Brasil a escrita vem da esquerda para a direita, de cima para baixo. As vezes o aluno não sai lendo e escrevendo, mas tem estas noções que são imprescindíveis para as construções de outros conhecimentos mais específicos do ensino fundamental.

 

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