Diamante ou pedaço de vidro

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* Luciana Parisi


Queridos colegas e amigos,

A uma semana das eleições para Prefeito de Belo Horizonte venho expressar minha intenção de voto e explicar as razões pelas quais faço esta opção. Sou médica do serviço público desde 1982 e por isto acompanhei e faço parte da construção do Sistema Único de Saúde. Acompanhei dentro do Estado e da Prefeitura os governantes que aqui passaram.

Esclareço que não tenho filiação partidária e sempre defini minha conduta como cidadã e como trabalhadora em coerência com os valores nos quais acredito. Quero uma cidade civilizada onde haja preferência para a vida e para os mais frágeis, com gentileza urbana e respeito às regras de convivência. Eu quero as faixas de pedestres recuperadas na cidade com motoristas parando quando o pedestre for atravessar. Eu quero obras planejadas juntamente com os moradores e comerciantes para não prejudicá-los.

 

Eu quero obras que não agridam o meio ambiente. Eu quero obras públicas priorizadas pela população, com transparência, com nome da construtora, cronograma e os orçamentos afixados em placas na própria obras, para que todos tenham acesso. Eu não quero ir para o meio da rua entre carros por causa de obras públicas ou privadas. Eu não quero atravessar correndo porque o sinal de pedestre abre e fecha muito rápido. Eu quero que os motoristas de ônibus, taxi e particulares respeitem o limite de velocidade da via. Eu quero subir a avenida Nossa Sra do Carmo e entrar no Anel Rodoviário sem medo de um acidente. Eu quero dormir tranquila mesmo quando minhas filhas vão voltar para casa de madrugada.

 

Eu quero uma cidade com um transporte público que me incentive a deixar o carro em casa. Eu quero esperar o ônibus em pontos abrigados da chuva e do sol. Eu quero uma cidade sem fome, onde as pessoas possam ter sua casa própria com todos os serviços urbanos que incluam praça ou um parque para lazer, área verde, atividades artísticas e culturais. Eu quero coleta seletiva em todos os bairros. Eu quero internet pública e gratuita e de boa qualidade nas escolas e em vários pontos da cidade para que todos tenham acesso. Eu quero uma cidade que respeite a diversidade, eu quero uma cidade sem homofobia. Eu quero que um consumidor negro ou de classe C receba o mesmo tratamento que eu nos Shoppings Centers. Eu quero dormir numa noite fria com meu cobertor sabendo que os mendigos foram recolhidos para abrigos pela prefeitura, com vagas para recebe-los.

Eu quero uma cidade onde as mães desesperadas tenham onde buscar ajuda para seus filhos quando a droga começa a rondar suas casas. Quero uma cidade onde os professores possam discutir com a sociedade como resolver a questão das crianças que, mesmo dentro da escola, ainda estão excluídas da cidadania. Eu quero uma cidade onde os conselhos municipais e sindicatos não tenham membros cooptados , uma cidade onde os trabalhadores da prefeitura sejam admitidos através de concurso público ou por seleção apenas por critérios técnicos. Eu quero uma cidade onde o prefeito ouça os servidores porque eles estão em contato com a população e sabem o caminho das pedras.

 


Para mim a competência e a modernidade de um prefeito se mede pela civilidade da cidade, pelo respeito com e entre os cidadãos, pela qualidade de vida que ele consegue alcançar. E o único caminho possível para alcance da civilidade é a interlocução permanente, o diálogo permanente com os servidores com a sociedade e seus representantes. Toda e qualquer outra forma de governo não participativa afastará o governo do bem comum, do bem de todos, trazendo privilégio para poucos grupos e comprometendo a realização dos desejos do cidadão comum. Eu, como servidora pública desde 1982, posso testemunhar e tenho a responsabilidade de dizer que o prefeito que mais atuou com afinidade ao que espero da cidade foi Patrus Ananias. E olhe que naquela época vivíamos um tempo de grande crise econômica no Brasil, sem os recursos do governo federal que temos hoje.

A sintonia era tão fina com a cidade e com os servidores que, mesmo sem recursos, tirávamos leite de pedra. Tínhamos muito orgulho de Belo Horizonte e a cidade desabrochava em passos largos. Eu gostaria muito que a população soubesse disto porque há muita propaganda enganosa, muita publicidade e a cidade pode correr o risco de jogar no lixo um diamante tão precioso como Patrus Ananias achando que é um pedaço de vidro.

Um abraço,

 

* Luciana Parisi - Médica de Gestão em Saúde da Prefeitura de Belo Horizonte

Fonte: Artigo publicado no Facebook da autora

 

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